sábado, 30 de abril de 2011

O casamento real britânico:



Roberto Shinyashiki, psiquiatra,  palestrante e autor de vários livros de sucesso, conta em um dos seus inumeros livros, uma estoria que  está sempre em minha  mente:

“O sujeito fugia de um urso e caiu em um barranco. Conseguiu se pendurar em algumas raízes. O urso  la em cima tentava pegá-lo. Embaixo, onças pulavam para agarrar seu pé. No maior sufoco, o sujeito olha para o lado e vê um arbusto com morangos. Ele pega o morango, admira sua beleza e o saboreia.

 Cada vez mais nós temos ursos e onças à nossa volta. Mas é preciso comer os morangos”.

Ontem foi o dia do casamento do principe William  aqui no Reino Unido. Este acontecimento social despertou um sentimento de união e de patriotismo numa parte considerável dos  britânicos, que se reuniram em festas, enfeitaram a cidade e suas casas com bandeirinhas, tal como uma final de copa  do mundo. A cerimônia foi muito bonita, como se  tivesse  saído dos livros de estórias infantis, com direito a carruagens, principes, princesas e toda a magia que ouvíamos quando criancas.

 É fato   que o Reino Unido   esta passando por uma fase de  austeridade econômica que está proporcionando dificuldades  financeiras  para parte da sociedade britânica. Porém é sabido  que,  apesar de ainda continuar alta a receita  da família real,   houve,  assim como todos os outros custos governamentais,  cortes .

É fato que os paises árabes e africanos, muitos deles antigas colonias britânicas , estao passando por revoltas populares devido a ditaduras que o proprio Reino Unido ajudou  a construir. E a pobreza  e os fluxos migratórios estão aumentando frente a estas questoes.

Nao podemos achar que nao temos nada a ver com tudo que esta acontecendo no resto do planeta,  visto que fazemos, enquanto humanidade, parte do mesmo sistema.Temos sim que nos indignar frente as injusticas  sociais, e se posicionar , se possível. 

“Mas é preciso  tambem  comer os morangos”.

Ligia Kaysel

quinta-feira, 21 de abril de 2011

As fases de desligamento entre pais e filhos:(acentuação deficiente)

Em maior ou menor grau, todos os pais possuem  dificuldade em “soltar” seus  filhos no  mundo. Sao várias as etapas de desligamento  entre pais e filhos, e conforme nós pais  vamos   nos acostumando com uma fase,  aumenta-se  o grau de dificuldade.

 Este processo inicia-se com  com os filhos  ficando  sozinhos  na casa de amigos, em casa,   no clube. Depois vem  as “baladas”, as namoradas(os) e as viagens com a “galera”. Mas a  mais difícil  das fases é   a saída do filho(a) da casa dos pais, pelo casamento ou pela mudanca de casa, de cidade ou de país.

Eu  tive sorte em relacao a esta  mudanca , visto que meus filhos mudaram-se de casa para residirem no exterior  portanto, se por um lado eu sentia a falta fisica dos mesmos, por outro  eu  me entusiasmava  com  o fato de eles estarem tendo  a oportunidade de viver um mundo tao novo e diferente. Foi no exterior  tambem que os mesmos passaram a conviver com suas atuais esposas, o que me fez sentir grata as mesmas por estarem “cuidando” dos meus filhos  com um toque feminino.

 A saída da casa dos pais talvez seja a mais radical das fases , mas não  a última, pois depois  vem o fato de conviver com o casal (filho e nora ou filha e genro) sem se envolver na vida dos mesmos.

Eu estou na primeira parte desta fase, visto  que  ainda nao  tenho netos, o que creio  que torne  esta fase  bem mais dificil.

A teoria de que  a solucao é simplesmente  sermos amigos  de nossos filhos é uma teoria muito simplista.  Para mim  é facil  ser amiga dos meus filhos sem  aquele sentimento  de que devo  sempre “dar  conselhos”, pois tenho  plena consciência que eles são mais experientes  do que eu em diversos assuntos. Porém as vezes  me magoo, e proporciono um  certo sentimento  de “culpa” aos meus filhos, tipo  aquela cobranca materna  básica:  “ porque voce  demorou tanto para  aparecer”?

Preciso  apreender a ser como os passaros, que cuidam de seus filhotes  enquanto pequenos e frágeis, e depois que os ensina a voar , solta-os pelo mundo, sem  amarras ou cobrancas

Ligia Kayasel


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Berlim: (falta de acentuacao adequada)

 A historia desta cidade sempre me encantou, visto  que  por mais de 40 anos  foi dividida em duas partes  por um muro: a parte ocidental, moderna e desenvolvida e a parte oriental, comunista, pouco desenvolvida e pobre.  Em 1989,  com o fim do comunismo  e consequente queda do muro que as separava,  as duas  Berlins se unificaram, e a historia nos relata  o quão impactante foi esta fusao entre a Berlim ocidental   e  oriental.

Em visita a esta cidade após 22 anos da queda do comunismo, pude constatar que a cidade já está quase sem marcas desta fusão, a nao ser nos locais turísticos mantidos para recontar a historia.

Nos anos noventa  a  Berlim oriental  passou a ser atrativa aos chamados “yuppies” (jovens  profissionais abastados), o que originou  novas construcões   e espacos publicos. Por outro lado, localizamos bairros mais  empobrecidos (para os padrões alemães)  na parte antes considerada ocidental da cidade.

É  interessante tambem constatarmos que berlinenses já adultos (na faixa dos 30 anos),  não sabem nos informar qual parte  da cidade aquele local em que estávamos pertenceu, quão integrada está a cidade atualmente.

De uma forma geral  é uma bonita  e  vibrante  cidade, com  pontos turisticos para todos os gostos, desde shopping centers  ultra  modernos,  até campos de concentracão nazistas, onde  a morte parece estar presente.

A populacão de Berlim porém, me pareceu  muito homogênea fisicamente. A história conta que o desejo maior de Hittler era que  a maioria da populacão  mundial pertencesse a raca ariana.Felizmente isso nao aconteceu, mas acho que ele iria gostar de residir em Berlim atualmente, se  estivesse vivo.

 Ligia Kaysel                                                          


segunda-feira, 21 de março de 2011

A Evolucao espiritual da Humanidade:(sem acentuacao)

Ja li muito sobre  o fato da  futura  evolucao espiritual da humanidade vir  atraves do  sofrimento  de todos os  seres humanos, independente de poder, raca, dinheiro ou crenca,   perante diversas  adversidades  ocorridas ao mesmo  tempo  no planeta.

 Fazendo um paralelo do macro com o micro,  houve um momento em minha vida  em  que ocorreu uma grande adversidade. Este  trágico episódio  me tirou do eixo,  e  apesar do ocorrido ter sido muito dificil de superar, o resultado para mim, enquanto ser humano, foi  bom. Este acontecimento me transformou numa pessoa  diferente, mais centrada, mais livre  e  creio que melhor  do que antes do referido episodio.

A Humanidade  nos ultimos tempos, esta passando por uma avalanche  de questoes  completamente impensáveis há  alguns poucos anos atrás.

Iniciou-se  com a quebra financeira dos Estados Unidos  e  da Europa (potencias que pareciam inabaláveis e completamente estáveis), depois veio a revolucao das redes sociais na internet (a comunicacao entre os povos quebrando barreiras de espaco), as denúncias da rede Wikileaks(a quebra do segredos de Estado),  as  revoltas das populacoes africanas e árabes  frente a ditaduras mundiais   camufladas durante décadas(a forca do povo emergindo);  e  nestes ultimos dias ainda  o terremoto, o tsunami  ( a mae terra mostrando toda a sua forca e poder ) e mais e o vazamento nuclear  no Japao ( a fraqueza de fortalezas nucleares  perante a forca da natureza).

Estes acontecimentos juntos, ,num espaco tão curto de tempo, talvez transforme os  paradigmas das sociedades  organizadas,trazendo mais justica  e seres  humanos mais evoluidos e melhores.

É sabido  que pode-se evoluir espiritualmente atraves do amor ou da dor,talvez nós seres  humanos, enquanto consciência coletiva, optamos por evoluir   através da dor.

Ligia Kaysel

domingo, 6 de março de 2011

Um sentimento de muitos imigrantes:

Trabalho  em uma empresa onde a grande maioria dos clientes sao  imigrantes  de baixa renda.

No atendimento a esta populacao é possivel  conhecer  um pouquinho da realidade de cada um, e aprender muito com  todos.

 Os imigrantes   de baixa renda em Londres, na maioria das vezes, sao  aqueles que possuem passaporte europeu apesar de terem nascidos fora da europa (conseguido atraves da consanguiniedade), ou nascidos em  paises pobres do leste europeu (Polonia, Lituania, Republica Checa e outros).

Podem ser tambem os que viveram em UK   por mais de 5  anos, com visto de estudante ou de trabalho, e passaram  entao a  possuir  cidadania britanica (depois de submeter-se a um teste de conhecimentos e  tradicões  britanicas, somados a custos destes procedimenos, que nos ultimos anos triplicaram  de preco).

Ha  ainda os que   possuem visto de trabalho (visto  este que depende de um empregador requere-lo, o que pode  tornar  o imigrante vulneravel ao seu empregador), de estudante (somente podendo  trabalhar  de 10 a 20 horas por semana) ou na condicao de asilados.

Mas  sinto que há um sentimento muito  comum  em  grande parte  dos imigrantes, em maior ou menor grau, o sentimento de “nao pertencimento” a lugar algum.

O imigrante  saiu de seu país a procura de algo melhor do que vivia. Depois de algum tempo (de meses há  anos, dependendo  da pessoa e de sua realidade)  descobre que pode sobreviver aqui, ganhar mais dinheiro, ter mais seguranca e tranquilidade, mas nao pertencerá nunca a este país, nunca falará inglês como eles, nunca será um deles, por mais que possua um passaporte legalmente reconhecido.

Porem, crê que não se adaptará  mais  completamente  ao  seu pais de origem, apesar de ama-lo. Surge entao  o sentimento de “nao pertencimento “.

É como uma rosa imersa na água: ela vive, cresce, desabrocha  como todas as outras  rosas,  mas nao tem raizes.

Ligia Kaysel


domingo, 27 de fevereiro de 2011

A colonizacao no Brasil , Africa e as desigualdades sociais:

Apesar do Brasil ter sido colonia portuguesa no passado, os  europeus  que chegavam ao Brasil,  depois de meses de dificies viagens maritimas, tinham a  volta ao  seu pais de origem  como algo  impensavel na maioria dos casos.Como resultado,  nós brasileiros  somos uma mistura de descendentes europeus com  indigenas que sobreviveram a colonizacao branca e com ex escravos africanos, transformando nos  na raca brasileira, uma bonita  raca  com diferentes tonalidades de pele, cabelo e tracos.

O mesmo porem nao ocorreu na maioria das colonias europeias  da Africa, porque: 1-Os europeus sentiam se intelectualmente superiores aos africanos.2-A independencia de grande parte dos países africanos se deu depois da segunda guerra mundial, entre os anos de 1950 e 1960, e as colonias portuguesas por volta de 1975.

O resultado foi  que, a  maioria dos paises africanos  ainda conserva sua lingua nativa, passada de pais para filhos,  apesar de nao ser apreendida na escola e, a populacao africana  de forma geral,  tem uma  forte magoa em relacao  ao tratamento dado aos mesmos pelos seus  colonizadores. O  apartheid  tao noticiado na Africa do Sul, acontece  ainda em diversos paises africanos, em maior ou menor grau, e  se difere  da Africa do Sul somente porque la  haviam  leis que discriminavam  brancos e   negros, nos outros paises  africanos estas leis nao existem no papel,  só de fato.

 Este sentimento de “injustica” nos contagia ainda  mais  quando lemos na internet, atraves da “Wikipedia,” por exemplo que:

“A República Democrática do Congo  está entre um dos países com os menores valores de PIB nominal per capita, à frente apenas do Burundi. Porém, o país é considerado o mais rico do mundo em questão de recursos naturais, estima-se que no valor de 24 trilhões de dólares”.

“Angola é o segundo maior produtor de petróleo e exportador de diamantes da África Subsariana. Segundo o Fundo Monetário Internacional, mais de 4 mil milhões de dólares teriam desaparecido do fundo de tesouraria de Angola na década de 2000”.


“Líbia- Depende, basicamente, do sector petrolífero, preenchendo cerca de um quarto do Produto Interno Bruto. Contudo, há uma deficiente distribuição desses rendimentos, sendo que as classes mais baixas chegam a apresentar dificuldades na obtenção de alimentos.”.


“Guiné Equatorial- Desde o fim do século XX, com a exportação de petróleo, a renda per capita tem aumentado espetacularmente, ainda que a riqueza se concentre nas mãos de uma minoria, em sua maior parte propriedade do clã no governo ou de companhias internacionais”.


“Namíbia-É o quarto maior exportador de minerais não-combustíveis da África e o quinto maior produtor de urânio do mundo. Embora o PIB per capita da Namíbia, seja cinco vezes maior do que a média dos países mais pobres da África, a maioria do povo da Namíbia vive na pobreza, principalmente por causa da má distribuição de renda, fazendo com que a maior parte do poder econômico esteja nas mãos da minoria branca.”.


O   Brasil,  apesar de ser mais desenvolvido que os paises da Africa de maneria geral, e da bela raca brasileira citada no início, a questao de desigualdade social  se e assemelha muito  a dos paises africanos.


 Conforme   uma pequena parte do texto encontrado no  Adital-Noticias da America Latiana  e Caribe-de 10/8/2010, entitulado -Desigualdade social no Brasil- escrito por Frei Betto-Escritor e assessor de movimentos sociais:


“Relatório da ONU (Pnud), divulgado em julho, aponta o Brasil como o terceiro pior índice de desigualdade no mundo. Há, sim, melhoras em nosso país. Entre 2001 e 2008, a renda dos 10% mais pobres cresceu seis vezes mais rapidamente que a dos 10% mais ricos. A dos ricos cresceu 11,2%; a dos pobres, 72%. No entanto, há 25 anos, de acordo com dados do IPEA, este índice não muda: metade da renda total do Brasil está em mãos dos 10% mais ricos do país. E os 50% mais pobres dividem entre si apenas 10% da riqueza nacional”.


Uma mudanca drastica e mais rapida neste quadro de desigualdades sociais se faz necessaria no Brasil e  na Africa, e acho que talvez o norte da Africa esteja  descobrindo a formula. Creio que seja atraves do povo nas ruas que esta mudanca aconteca, espero  porem que com menos dor  e sangue do que esta passando a populacao da  Libia agora.


Ligia Kaysel

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A Libia e os Refugiados Africanos:

As condicoes de extrema pobreza, e/ou de guerras e perseguicoes politicas em diversos países da Africa, fazem com que muitos cidadaos tentem se refugiar  em países da europa.

O fluxo de imigrantes ilegais que tentam atravessar o Mar Mediterrâneo, geralmente em condições precárias e perigosas, é um dos problemas humanitários mais urgentes a serem resolvidos entre a Europa e a Africa. 

Esta questao seria semlhante a tantas outras no planeta, se nao fosse por um acordo feito entre aUniao Europeia (UE) e a Libia.

 Conforme  artigo publicado na UOL Internacional de 19.02.2011 entitulado “Refugiados do Mediterrâneo”  -“Em 2006, a UE e a Líbia selaram um acordo, segundo o qual as embarcações de refugiados deveriam ser barradas às portas da Europa. Hoje, esse acordo já foi até ampliado e a Líbia detém supostamente 10 mil refugiados em seus acampamentos.
A Itália envia refugiados para a Líbia sem qualquer processo legal. No entanto, a participação da Líbia nessa rejeição dos refugiados não é gratuita: de vez em quando, Kadafi exige 5 bilhões da UE . Caso contrário, ameaça enviar para a Europa, pelo mar, todos os refugiados que mantêm em seu território. De fato, a Líbia já recebeu em torno de 50 bilhões de euros da UE a título de acordos sobre refugiados.”

Nos termos de  um relatorio da Anistia Internacional  publicado em 14.12.10 “Os refugiados e os requerentes de asilo vivem em um limbo legal na Líbia, independente da necessidade de proteção que apresentam. O país não é signatário da Convenção de 1951* e não tem nenhum sistema de asilo. Em novembro de 2010, o governo líbio rejeitou publicamente recomendações para que a Líbia ratificasse a Convenção de 1951 e concordasse com um memorando de entendimento com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), segundo o qual a organização poderia prestar assistência aos refugiados e requerentes de asilo na Líbia”.

Em outra parte do texto “ Tortura e outros abusos contra refugiados, requerentes de asilo e imigrantes são práticas sistemáticas na Líbia. Apesar disso, um "Acordo de Trabalho" mais amplo entre a UE e a Líbia está sendo negociado, inclusive a fim de permitir a "readimissão" à Líbia de cidadãos de "países terceiros" que entram na UE depois de transitar pelo país”. 

Diante deste hediondo dado, anseio ainda mais para  que o povo líbio  saia vencedor em sua luta para derrubar o ditador  Muammar Kaddafi do poder.

*Convenção de 1951-Relativa aos Estatuto dos refugiados.

Ligia Kaysel.                                                          

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A guerra e as criancas:


A semana passada conheci um castelo muito interessante, em  Dover-UK.

Neste castelo os fatos historicos sao contados por funcionarios, por  sons ouvidos  nos  ambientes, e  tambem através de recursos audio visuais  a lazer. Quase nao ha textos  para serem lidos, como na maioria dos museus e castelos.

Atraves destes recursos sao descritos diversas estratégias de guerra usadas pela   Inglaterra neste ponto estrategico de defesa de seu país, em   diferentes épocas, visto que Dover situa-se na divisa entre  o Reino Unido e a Franca( há 34 km. de oceano separando Dover-UK de Calais-FR).

É possivel entao visualizar e caminhar, por exemplo, por túneis subterraneos com diversos canhões  onde se bombardeava o inimigo no mar  sem ser visto; labirintos onde  vizualizava-se  os aposentos do castelo clandestinamente,  e outros criativos recursos  e  armadilhas de guerra.

Talvez por ser um castelo  onde a historia e revelada de forma muito interativa, havia muitas criancas e adolescentes entre os visistantes .

Apesar dos fatos historicos relatados passarem-se entre os seculos XI  e comeco do seculo XX(até a segunda guerra mundial), no final  ha um filme sobre:  Setembro de 2010-A guerra no Afeganistao.

A princípio achei que tinha entendido mal, visto que Setembro de 2010  foi  o ano passado, e o Afeganistao está muito  distante da Inglaterra. Ao apertar o botao para ve-lo porem, me surpreendo com 8 minutos  (em contagem regressiva)  de um filme com uma bela e atual trilha sonora, com diversas imagens dos soldados ingleses lutando no Afeganistao. Todos bonitos, bronzeados, usando possantes armamentos e estratégias . Revoltada nao assisti até o final, (assisti 6 dos 8  minutos previstos) , mas durante o tempo em que assisti,  nao vi  nenhuma morte, nem tampouco imagens  de pessoas feridas.

Espero que o fato de “mergulhar-se” por  aproximadamente  duas horas sobre o mundo das batalhas na defesa da Inglaterra, somados a 8 minutos de “emocionantes aventuras para defender o ocidente contra o terrorismo”, nao tenha influenciado nenhuma crianca ou jovem, a participar de alguma guerra, mas nao tenho muita certeza disso.

Ligia Kaysel



sábado, 5 de fevereiro de 2011

As noticias sobre o Brasil:(acentuacao deficiente)

 
Hoje li a seguinte noticia na RFI Brasil:

“Garantir a felicidade na Constituição do Brasil é folclórico, diz Le Figaro RFI- A crise egípcia continua sendo o principal destaque dos jornais franceses desta quinta-feira, mas o Brasil também está estampado na primeira página do Le Figaro de hoje. O Brasil quer incluir o direito a felicidade na sua constituição escreve impressionado o  jornal conservador”(03.02.2011).

Confesso que nao gostei do tom “folclorico” que deram para noticia  sobre o Brasil, porem é possivel   entender que uma  imprensa conservadora europeia, possa descrever uma noticia sob seu ponto de vista, tendo como parametro seus proprios valores.

Ja quando a imprensa é brasileira, se espera neutralidade nos noticiarios.

A Rede Record do Brasil  é  facilmente conectada via internet gratuitamente no Reino Unido. Considerando que isto nao e comum  com nenhum  outro canal de televisao de lingua portuguesa;  brasileiros, portugueses, angolanos, mocambicanos e outras  pessoas provenientes de paises de nossa lingua, acessam a Rede Record   frequentemente  no Reino Unido.

A programacao de forma geral e variada e boa, porem os  noticiarios da Rede Record estendem-se demais em cada fato violento  ocorrido  em nosso país, sem o mesmo  enfoque para as noticias mais amenas.  

O Brasil é um pais violento,com pobreza e tragedias acontecendo a todo o momento,  mas e tambem um país com muita coisa boa para ser noticiada e, um canal de televisao com a repercurssao da Rede Record,  deveria equacionar  em  seus noticiarios  as qualidades e os problemas do povo brasileiro em igual medida.

A Rede Record, por sua popularidade aqui, deveria ter a responsabilidade de mostrar a imagem do Brasil descrita com as cores certas e reais.

Ligia Kaysel


domingo, 30 de janeiro de 2011

Um pouco da saude publica da Inglaterra:( sem acentuacao)

Hoje decidi fazer um exame sanguineo de rotina  que ha meses requeri do  medico do posto de saude do meu novo  bairro.
Residi quase 2 anos numa zona nobre de Londres, onde era possivel ser submetida a este exame no proprio Centro de Saude, onde havia um hospital pequeno e  tudo  era bem individualizado. Mas neste meu novo bairro todos os exames devem ser  colhidos no hospital da regiao.E um bairro muito populoso.
Aqui em UK todas as consultas medicas, exames e internacoes sao gratuitos, sem termos que esperar para  nos consultar . Depois de inscrever-se no posto de saude mais perto de sua residencia, voce marca suas consultas medicas por telefone, para o mesmo dia, ou para dias subsequentes se nao for urgente. Dificilmente voce espera mais de 10 minutos por uma consulta com hora marcada. Minha pouca experiencia com o sistema de saude daqui  me  faz crer que  sua   organizacao  é bem eficiente. Porem ja nao se pode dizer o mesmo dos medicos.
Todos  sao  muito cordiais,  mas as  consultas  de forma  geral sao rapidas e resumem-se ao breve  relato  dos nossos  sintomas e algumas vezes a um rapido exame clinico. E na primeira consulta, o diagnostico pode diferir, mas a medicacao em geral e sempre a mesma, “paracetamol” (um remedio para dor),exceto se voce realmente estiver muito  mal.
Comenta-se aqui  que  para os  medicos de Londres, “paracetamol” serve para todos os males. Se  a questao de saude persiste, ai voce requer uma nova consulta, e uma nova medicacao ou um especialista lhe  sera recomendado.
Voltando porem ao meu exame sanguineo, ao chegar ao hospital do meu novo  bairro  me deparo com um enorme complexo hospitalar, tem ate super mercado e lojas em seu interior.  
A sala indicada para os exames sanguineos é imensa, sou orientada a pegar uma senha  e informada  que minha vez chegara quando  o n*  da minha senha aparecer no visor luminoso. Meu numero e “E75”, no visor estava informando “D97”. Logo percebo que 3 numeros depois do “D”, comeca os numeros com o prefixo “E” (o meu), mas tem 74 numeros na minha frente ainda, concluo  entao que vou passar horas naquela sala, em jejum. Acho que pessoas de pelo menos uns 30 paises diferentes estao representadas naquele  lugar, porem nao ha criancas, deve haver um local proprio para elas.A acomodacao e boa, todas as  pessoas  estao sentadas e  ha uma grande  TV sem som com legenda, no alto da sala.
Depois de menos de uma hora  meu numero aparece no visor. Espanto  me com a rapidez. Quando vou para sala de coleta de sangue percebo o motivo. É outra sala muito grande, com umas  20  pessoas que tiram sangue dos pacientes, todos na mesma hora e juntos, em cadeiras enfileiradas, tudo na maior rapidez. Coletam sangue muito bem,  parece tudo muito organizado e limpo, mas nunca tinha participado de uma coleta de sangue “por atacado” como esta. O resultado sera remetido diretamente para o meu posto de saude.
Considerando que o NHS (nome do sistema de saude daqui)  e o SUS de UK,   acho que esta forma de  coleta de exames e uma maneira eficiente de tratar a todos que precisam, de forma  democratica e eficiente, porem confesso que num primeiro momento  me assustei  com a falta de privacidade para o referido exame.
Ligia Kaysel.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

D. Maria morava em uma casa em “area de risco de desabamento no Brasil"(Direito a moradia)

D. Maria morava sozinha com seus 3 filhos: Daniel-8, David-4  e Deise-3, desde que seu marido desapareceu de casa por ocasiao do nascimento de Deise.

Sua casa tinha sido construida com  recursos  do casal,  logo que comecaram a viver juntos.

Com  desaparecimento repentino do mesmo, sem  dinheiro e sem ter como sustentar os filhos, recorreu a programas  sociais do governo, conseguindo entao  algum dinheiro para as despesas mais urgentes e, a  matricula de  seus  filhos  mais novos na creche municipal durante o dia, o que   permitia com que D . Maria  pudesse trabalhar.

Daniel estudava na escola municipal perto de sua casa no periodo da manha,almocava na escola, e permanecia na casa de D. Clarice, sua vizinha e amiga,  no periodo da tarde, visto ser muito jovem para ficar sozinho em casa. Quando  seus filhos adoeciam, D. Maria tinha o apoio da vizinhanca, alem de um bom Posto de Saude .

Porem um dia a defesa Civil do Municipio foi ate a casa de D. Maria  avisa-la que sua casa  estava condenada a desabar, pois situava-se  em uma regiao de “risco”. Informaram a entao que ela e seu filhos deveriam  mudarem  se de residencia  o mais rapidamente possivel. D. Maria argumentou que nao tinha para onde ir e a Defesa Civil Municipal prometeu entao  providenciar um local para D. Maria mudar-se com seus filhos.

Passados  dois anos  a prefeitura informou a D. Maria que  havia  arrumado uma casa para todos mudarem-se.

A alegria de D. Maria durou pouco, quando descobriu que esta nova casa era do outro lado da cidade, num bairro sem posto de saude,  longe de toda a sua rede de apoio e emprego.

D. Maria foi  tambem informada que a creche mais proxima era distante  de sua possivel residencia, e que nao possuia vagas nos proximos 12 meses, era preciso permanecer em uma lista de espera. Escola para Daniel somente  no proximo ano. E como D. Maria iria  trabalhar sem ter com quem deixar seus filhos?E como eles sobreviveriam sem o trabalho de D. Maria?  D . Maria  entao  negou-se a sair de sua casa com seus filhos.

 A Defesa Civil ameacou “retirar” as criancas  de D. Maria, visto que, ao residirem    naquela casa, estavam  todos em risco de morte. D. Maria recorreu  entao ao Conselho Tutelar  de sua regiao, que “comprou a briga “ da mesma por uma moradia mais perto da sua casa,  ou uma indenizacao justa para que ela pudesse adquirir uma casa num lugar mais adequado para a mesma e seus filhos.

Mas na semana passada houve um enorme deslizamento de terras, apos uma tempestade  na regiao de moradia de D. Maria e nao deu tempo para esta historia terminar pois, morreram soterrados D. Maria ,Daniel  David e Deise.

Conforme comentario do Blog  http://assessoriajuridicopopular.blogspot.com, no Rio de Janeiro  na semana de 17 a 21 de janeiro/2011  foi  divulgado o  "Manifesto contra a ditadura aos pobres na cidade do Rio de Janeiro", assinada pelo Conselho Popular, Pastoral de Favelas, MUCA, Pela Moradia, FIST e associações de moradores das comunidades atingidas.


Neste manifesto ha  diversas reivindicações, e uma das principais ao meu ver é:  "moradia no centro para famílias com renda de zero a três salários mínimos e/ou  entendimentos honestos e democráticos propiciando condições de morar no mesmo bairro ou indenizações prévias e justas”.
Nada mais justo para que historias como a D. Maria, tao reais no Brasil , nao se repitam .
Ligia Kaysel


domingo, 23 de janeiro de 2011

O meu trabalho com idosos:

Depois de poucos meses me candidatando a um  emprego  na area social, ja  fui chamada para trabalhar num abrigo de idosos, perto da minha casa, aqui em Londres.
Eu estava radiante de felicidade. Era um abrigo para 17 idosos, todos com algum grau de “demencia”, numa casa super bonita, com dormitorios individuais bem decorados, e um banheiro para cada dois quartos.Eu seria monitora, cuidaria, junto com uma equipe, dos idosos no periodo da tarde.
Ja no primeiro dia percebi que o lugar era lindo, os idosos doces e amorosos (apesar de estarem meio fora da realidade devido a demencia, era so “mergulhar” na fantasia deles, que o papo “rolava solto”),mas o tratamento dado aos mesmos pelas  “minhas colegas” nao era dos melhores.
Os idosos nao tinham nenhum tipo de atividade, passavam o dia todo sentados  numa sala grande, com uma TV sempre ligada. A  comunicacao dos mesmos com os funcionarios da casa era  sempre  de forma rapida e sem a atencao necessaria. Os que tinham dificuldades de locomocao para a sala de refeicoes ou para ir ao banheiro, eram  realmente desrespeitados. Percebi tambem que, o fato de eu conversar  e me dedicar aos  ususarios   nao  era “bem visto” pelas  funcionarias.
O fator “higiene”era um caso a parte. A sala onde os idosos permaneciam literalmente  nao cheirava muito bem. Os idosos de forma geral nao era  mal cheirosos, imaginei entao que, como  eu trabalhava no periodo da tarde, era no periodo da manha (nao todos os dias, mas algumas vezes por semana) que eles tomavam banho, mas logo fiquei sabendo que somente  tomavam banho ocasionalmente, a nao ser os  poucos que eram capazes de banharem se  sozinhos

Depois de 4 dias, sem que meus coordenadores  entregasssem me  o contrato de trabalho, resolvi questionar a respeito, mais  para servir como prova dos dias  em que tinha trabalhado, visto que  ja estava  decidida  a nao  continuar  trabalhando naquele lugar.
No final do  5* dia, foi me entregue o referido contrato de trabalho, onde constava que eu estava comecando naquele dia, isto e, 5 dias depois da realidade. Meu coordenador tambem explicou me que, o pagamento  mensal era de ¾ do salario e que ¼ do salario mensal era retido  durante 12 meses, e depois devolvido para os funcionarios.
Conversando com minhas colegas sobre aquele tao horrendo metodo de pagamento, elas relataram me  que sentiam se muito indignadas com aquela situacao. Comecei  entao a  entender algumas coisas: Ja tinha percebido que todas as funcionarias eram de diversas  nacionalidades africanas ou arabes, nenhuma era europeia, o que podia explicar talvez o fato de elas estarem suportando trabalhar naquelas condicoes,  pois talvez tivessem problemas com o visto de permanencia no pais.   Conclui  tambem que a raiva delas  com as condicoes de trabalho estavavam  sendo transferida para os idosos.
Eu tinha  cidadania europeia  porem residia ha poucos meses em Londres, era meu primeiro emprego,  sem curriculo nem referencia no pais, e sem um bom ingles, o que me tornava uma possivel  “presa” facil para este tipo de empregador.
Demiti me naquele  dia.
Os 5 dias de trabalho  nunca recebi, e nao eu  tinha como provar que trabalhei, pois nao havia nada escrito  somente  o testemunho de  minhas colegas  que ainda trabalhavam no local, ou dos idosos com demencia.
Descobri como poderia denunciar, nao so a questao trabalhista imposta àquelas funcionarias mas principalmente  as  más condicoes de tratamento a que estavam sendo submetidos aqueles idosos. Desejei muito, muito mesmo  denunciar, mas o fato e que nao denunciei, com medo de ser descriminada num possivel futuro  emprego.
Ligia Kaysel

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O 13* Salario Ingles:


Aqui na Inglaterra nao existe 13* salario, em dezembro recebemos o mesmo salario que recebemos todos os meses, e eu achava isto muito injusto.

Mas hoje recebi um e mail muito inteligente que me mostrou que o brasileiro tambem nao recebe 13* salario, recebe igualzinho ao ingles, o justo.

Eu trabalho numa companhia financeira que empresta dinheiro.Quando temos   que calcular o salario das pessoas, se e semanal (que e o mais comum aqui) o calculo que temos   que fazer e o valor da semana vezes 4.2, e a explicacao e que o ano tem 52 semanas,  e nao 48 (12 meses vezes 4 semanas sao 48).

Em  ofertas de emprego  em Londres o valor  salarial sempre vem de forma  anual ou semanal, nunca mensal.

 Entao o e mail  me  faz perceber o seguinte:

Brasil:(copia do e mail)

“Suponhamos que você ganha R$ 700,00 por mês. Multiplicando-se esse salário por 12 meses, você recebe um total de R$ 8.400,00 por um ano de doze meses.
R$ 700 X 12 = R$ 8.400,00

Em Dezembro, o generoso patrão cristão manda então pagar-lhe o conhecido 13º salário.

R$ 8.400,00 + 13º salário = R$ 9.100,00

R$ 8.400,00 (Salário anual) + R$ 700,00 (13º salário) = R$ 9.100 (Salário anual mais o 13º salário)

Se o trabalhador recebe R$ 700,00 mês e o mês tem quatro semanas, significa que ganha por semana R$ 175,00.

R$ 700,00 (Salário mensal) / 4 (semanas do mês) = R$ 175,00 (Salário semanal)

O ano tem 52 semanas. Se multiplicarmos R$ 175,00 (Salário semanal) por 52 (número de semanas anuais) o resultado será R$ 9.100,00.

R$ 175,00 (Salário semanal) X 52 (número de semanas anuais) = R$ 9.100.00

O resultado acima é o mesmo valor do Salário anual mais o 13º salário “.

Portanto o 13* brasileiro nao existe, somente que o pagamento do salario  que e diferente , mas voce realmente trabalhou o “13” mes  brasileiro.

Ligia Kaysel

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

"Nannys"ou "Babás"(Exploracao do trabalho domestico)(sem acentuação)


Luciana trabalha como “nanny” (babá) aqui em Londres. Ela cuida de 2 criancas  e adora  seu  trabalho. Ela tem 24 anos e este trabalho, alem de ser facil pra ela pois  sempre gostou de criancas, lhe proporciona diversas viagens, visto que o casal com os filhos costumam  viajar por toda a europa e sempre a levam junto para  cuidar das criancas. Luciana e formada em Administracao de Empresas no Brasil, veio para Londres ja falando perfeitamnete bem o ingles, e por possuir cidadania  europeia,  nao possui  problema de vistos de entrada  nos diversos paises  onde esta conhecendo com a sua familia empregadora. Ela reside na casa da familia, vai para sua casa somente nos finais de semana, e como seu salario e bom, e ela quase nao tem gastos, esta comprando um bom apartamento  em construcao  em sua cidade natal. A familia de Luciana  no Brasil (proveniente da regiao sudeste) esta radiante, devido a boa sorte da filha.

 No Brasil, especialmente no interior do norte e nordeste do pais (regiao pauperrima), muitas jovens tambem empregam-se de babás na regiao sudeste (eixo Rio/Sao Paulo),com familias de classe media e classe media alta (como a de Luciana). As  familias  dessas garotas sentem se felizes e recompensadas quando suas filhas lhe relatam quao belas e confortaveis  sao as casas  que estao residindo, que  alimentacao boa estao tendo, que lugares bonitos estao conhecendo. Seus salarios tambem geralmente  sao muito bons  em relacao ao nivel de salarios de cidades do interior do nordeste brasileiro, e e sabido que muitas destas meninas mandam quase todo o salario para ajudar no sustento de suas familias  por la.

 Entao   comeco a lembrar-me de  situacoes familiares do meu cotidiano de infancia,  quando uma tia minha gostava de  mandar trazer meninas do interior da Bahia pra trabalhar e morar em sua casa como babás e empregadas, “porque elas eram trabalhadoras, nao ficavam reivindicando direitos, e estavam  sempre  dispostas a trabalhar  a qualquer hora, sem se importarem com noites, fins de semana ou feriados”.(sic). Lembro me tambem do quanto ela sentia se  generosa  por “permitir” que  a noite estas meninas pudessem assistir televisao com  ela  e sua familia (mas no intervalo  dos programas televisivos, se alguem da casa desejasse um copo de agua, eram essas meninas que iriam buscar na cozinha).

Lembro me  ainda da  real  indignacao  de minha tia quando, depois de algum tempo (as vezes anos) a sua “servazinha” desejava ir embora, trabalhar em outro lugar, sem residir na casa dos patroes e com  mais privacidade. Minha tia as considerava umas “ingratas”, e estas meninas,  apesar de desejarem muito ir embora,  sentiam-se cheias de culpa, pois havia sido  minha tia que as  tinha trazido para este  mundo novo, o mundo da cidade grande, que elas gostavam de viver, mas nao naquela situacao, nao naquele trabalho que as escravizava.

Logicamente ha diferencas gritantes entre estas meninas  brasileiras do norte e nordeste do Brasil e garotas como Luciana aqui em Londres.As brasileirinhas vao para estes trabalhos muito novas (algumas com 11 ou 12 anos de idade), epoca da vida em  que deveriam estar estudando, sem prepararem se para uma profissao. Devido a precariedade de sua infancia, e a ignorancia de seus genitores, elas desconhecem serem possuidoras de qualquer direito como cidadãs, o que faz com que situacoes como  as da casa de minha finada tia, acontecam com frequencia .As Nannys de Londres residem em seus trabalhos por  escolha propria e submetem se  a este trabalho temporariamente,  em  um investimento futuro, visto serem instruidas e adultas.

Mas   devem  as “nannys” brasileiras em Londres ficarem  atentas para nao serem  exploradas no trabalho, por mais lucrativo que  este trabalho seja, pois ja ouvi de senhoras inglesas   sobre os “problemas  que as nannys imigrantes podem trazer a seus filhos”, e senti que elas citavam estas profissionais  com  certo  preconceito.

Quanto as garotas do Brasil, ha diversas organizacoes  nao governamentais preocupadas com a referida exploracao do trabalho domestico infanto/juvenil, diversos programas ja foram lancados neste sentido, mas estes programas sao muito dificies de alcancarem seu  publico alvo, pois  estas meninas  nao frequentam escolas, estao sempre dentro das casas, e o pior, nao se acham  violadas em seus direitos, nem elas, nem tampouco suas familias.

Mas o mais interessante de tudo isso e  que a mesma familia de classe media alta  da regiao sudeste, que explora a mao de obra  domestica de  uma menina do nordeste  brasileiro, pode ter sua filha sendo explorada  no trabalho por uma familia  europeia, sem achar nenhuma  similariedade entre as duas situacoes.


Ligia Kaysel

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Morar num barco:( sem acentuacao)


Residir perto do mar sempre foi um sonho meu e de meu marido.Houve uma epoca em que quase  nos mudamos para Ubatuba/SP, mas na ultima hora nao deu certo.

 Entre 2008  e 2009  estavamos morando em Londres, numa regiao linda, perto do rio Tamisa, chamada Kingston-upon-Thames. Costumavamos fazer caminhadas  nas redondezas do rio, e fizemos tambem naquela epoca,  diversos passeios de barco em varias partes do Tamisa.

Entao me veio uma ideia. Por que nao residirmos dentro de um barco no Tamisa, como diversas pessoas  aqui fazem?

Ha diversos barcos estacionados nas margens do rio que sao residencias, as pessoas tem inclusive que pagar o Council Tax (nosso IPTU). Pesquisando a respeito, descobri que  a maioria dos residentes eram proprietarios de seus proprios barcos, mas havia  uma imobiliaria especializada (ou mais de uma talvez) em alugar este tipo de residencia, porem a procura era maior do que a oferta, portanto nao havia barcos residencia disponiveis prontamente, tinhamos que nos inscrever e esperar que vagasse algum com as caracteristicas que desejavamos (para 2 pessoas, pequeno).Estes barcos alugados ja vinham com sistema de aquecimento central, agua, luz e , num preco razoavel, se bem pequenino.

Comecamos a reparar entao, quando passeavamos pelos parques que circundavam o Tamisa, como viviam estas pessoas. Eram geralmente na faixa entre 40 e 60 anos (talvez possuam muitos jovens residindo assim tambem, mas nao  os vimos),possuiam sempre muitas plantas em cima e nas varandas dos barcos, alguns inclusive possuiam um “quintal” isto e, uma pequena parcela de terra na margem do rio, onde eles cercavam e  plantavam hortas e/ou criavam cachorros.Eu via tudo aquilo maravilhada.

Mas ao mesmo tempo, comecamos a perceber que  a noite aqueles lugares, na maioria das vezes, nao eram muito iluminados  e mesmo sendo, eram  sempre cercados por parques , o que poderia  ser  perigoso.

Quando o inverno chegou, percebemos entao o maior incoveniente para nos, o frio que fazia , por mais aquecido que devesse ser la dentro do barco.

Quando a imobiliaria nos contatou sobre o 1* barco nas condicoes em que  desejavamos, nos ja tinhamos mudados de ideia (quer dizer, meu marido muito antes de mim),e ja estavamos procurando um imovel para morarmos sozinhos, mas em terra firme.

Ligia Kaysel.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Minha Escola II: ( sem acentuacao)


Kayla chegou alguns meses depois de mim para nossas aulas, e o que mais me alegrou e que finalmente tinha alguem da minha  media de idade na classe, visto que eu era  quase sempre  a mais velha de todas as turmas.

Ela era  engenheira petrolifera no Iraque, um cargo de prestigio, o que fez com que conhecidos  seus a ajudassem pelo pedido de asilo  para a Inglaterra.

Em primeiro plano, o asilo foi  concedido  somente a sua pessoa, mas seu objetivo era que sua vinda motivasse a concessao de asilo a seu marido e a seus dois filhos adolescentes.Corajosamente entao, a mesma veio residir aqui sozinha, sem falar o ingles com desenvoltura, no alto de seus  50 anos. Deixou um emprego de prestigio em seu país, onde poucas mulheres conseguem alcancar. Kayla tinha opinioes claras  e moderadas sobre  a politica de seu pais e tambem sobre os  paises  ocidentais,conseguia ver o lado bom e o lado ruim de cada um, sem revoltas, ela tinha a serenidade das pessoas experientes, que sabem  exatamente o que querem.

Kayla era uma muculmana muito elegante, e apesar de permanecer pouco a meu lado,  visto que depois de 3  semanas foi  colocada num  outro horario, me marcou como uma mulher de fibra, que eu admirei bastante.

Alguns meses depois a encontei  em um trem metropolitano.Kayla estava vindo de uma audiencia na Corte (justica inglesa) e estava radiante de felicidade pois, a justica  britanica tinha concedido asilo politico a seus  filhos e marido. Agora toda a familia ia se juntar novamente. Teriam que  comecar uma nova vida aqui, sair do luxo que viviam com os altos salarios que ela e seu marido  recebiam no Iraque e  sobreviver  aqui, provavelmente de beneficios do governo no comeco, sem luxos e sem amigos. Mas nada disso importava para ela, tinha certeza que iam ter  mais paz aqui.

Ligia Kaysel

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Para quem vai o lucro de lojas no Reino Unido com nomes de ONGs famosas?( sem acentuacao)

Logo que mudei me  para Londres, sem trabalho e sem dinheiro, descobri com alegria as lojas de produtos usados como roupas, enfeites, livros, discos e ate moveis: as chamadas “Charities”; onde os produtos sao doados pela populacao para serem vendidos e sua renda revertida à entidades filantropicas. Estas lojas levam o nome da entidade que recebe o repasse de verbas.

Ha diversas  “Charities” em toda a Inglaterra. Nos bairros mais ricos, os produtos vendidos nas lojas sao de excelente qualidade e nos bairros mais empobrecidos, os produtos vendidos ja nao sao tao bons.

Como eu residia em um bairro nobre de Londres, eu comprava roupas muito boas a precos irrisorios, e ainda me sentia gratificada por estar ajudando uma entidade beneficiente.

Uns dois meses antes de mudar me  para outro bairro, fui trabalhar como voluntaria uma vez por semana, numa daquelas "charities", para praticar mais meu ingles.

Descobri entao, com certa decepcao, que  estas lojas eram um bom negocio para seus proprietarios.Elas  sao compostas sòmente por funcionarios voluntarios, todas as vendas proveem de doacoes e tudo e reaproveitado. As  roupas e produtos em bom estado (conceito subjetivo) sao colocados a venda no varejo, e os produtos em mal estado de conservacao sao descartados da venda na loja, mas sao vendidos por peso para determinadas organizacoes humanitarias.

Estas lojas possuem  por lei descontos no aluguel, e negociam com as entidades filantropicas que representam, a porcentagem dos lucros que sera repassada. A loja  em que eu trabalhei  repassava 26%  dos lucros obtidos para a ONG que lhe concedia o nome.

 O  proprietario nao possue gastos com funcionarios ou a compra de mercadorias, possui o trabalho somente de organizar a loja, a escala de funcionarios voluntarios (normalmente os mesmos trabalham  1 ou dois periodos por semana), torna-la atrativa para os clientes, e pagar despesas como o aluguel(com desconto), luz , agua e telefone.

O numero de voluntarios que desejam  trabalhar  nestas charities e muito grande, sempre  com o intuito de “ajudar” os necessitados e/ou de contribuir para a construcao de seu  curriculo. Pude constatar este fato pois  so consegui   a vaga  de voluntaria  na 3* loja  em que me candidatei, e quando la estava trabalhando, percebi a quantidade de jovens e idosos(e o publico que mais se candidata) que se oferecia para trabalhar la.

E certo que  nao deixa de ser um bom negocio para as ONG`s  possuirem  a possibilidade de uma renda alternativa que nao venha do governo ou de doacoes diretas, mas se as lojas pertencessem realmente as instituicoes, talvez pudessem lucrar muito mais.

Ligia Kaysel